Música
Criámos uma página de podcasts no site para facilitar o contacto com a música de que gostamos.
Lançamos e enviamos aos convidados um link para o podcast de preparação antes de cada festa, para que cada um se familiarize com extractos de algumas músicas da nossa colecção que poderão vir a ser tocadas. No site em mp3, mas na festa em pura glória sonora. Discos da colecção de todos nós, mantidos e tocados com reverência.
Fazemos arqueologia musical. A música aqui não tem idade, apenas mensagem, vibração, contacto com a nossa vida e ritmo interior.
É maioritariamente orgânica e percutida, com momentos psicadélicos e tribais. Música de todas as épocas eternas ou aspirantes à eternidade. Duma forma geral o critério é: porque gostamos ou porque o David Mancuso, e outros de reconhecido bom gosto, nos ensinaram a gostar.
Soul, R&b, Pop, Funk, Disco, Jazz, Rock, House, clássica e sinfónica e everything in between, e outras coisas que nunca ouvimos mas aqui chegaram por acaso, ou porque tinha que ser. Que sejam up lifting. Que tenham dinâmica. Que criem emoção.
O conceito de dançável, aqui, é em “várias camadas” e não apenas no batimento principal.
Através de um sistema de som de excepção e transparente, é possível que cada um de nós sinta as complexidades de uma composição e dance a parte da música que a sua alma sente com mais intensidade. Tal poderá não ser o ritmo dominante.
Seguramente o tipo de batimento e volume da musica no Lovetakesoff não faz demolir o edifício mais próximo.
O conceito “mainstream” não se aplica no Lovetakesoff e a música está fora da última moda, ou não! Afinal isso interessa para alguma coisa..?
A música que David nos ensinou apela a um conceito muito próprio: Terá que ter “life energy”, ser espiritualmente catalisadora e em vários estilos, porque através dela fazemos uma viagem.
O prelúdio da festa é todo ele clássico, jazz, mistério… por vezes com obras inéditas. Vale a pena passear pela pista, ficar simplesmente a ouvir….Perceber o sweet spot do som e desfrutar.
No Bardo segundo ou drifting, momentos de música apenas instrumental ou com forte percussão, menos comerciais por excelência, podem ser um bom convite à entrega e ao abandono dentro de nós próprios, na dança e movimento particulares de cada um.
A noite conta uma história através das letras das músicas. Fomos aprendendo que a melhor forma de aproveitar é ficar atentos e deixarmo-nos ir. Percebemos que é um meio para recuperar consciência social, numa época onde tanta imprensa sensacionalista e política manipuladora nos tenta dispersar.
Consciência, cujo ultimo reduto em tempos de Emergência social são geralmente almas com capacidade criativa, almas livres de certificações, como artistas, poetas, pintores, músicos. Não abdicamos de pensar. Nem de sentir. Nem da liberdade, nem da democracia com a consciência que estando dada por garantida nunca esteve tão ameaçada.
Já nos habituámos a músicas e momentos que conhecemos da cultura do Loft mas também já ouvimos e dançámos e cada vez mais, coisas que não conhecíamos. Uma aventura!!! É negro de raça e inspiração. É dança que liberta a anca!
Toda a diferença e experiência seja musical, pessoal ou social desde que com energia catalisadora de cura, paz, leveza e liberdade é bem vinda. Flutuamos nas escolhas e surpresas que aqueles de nós que ficam com a missão de anfitrião musical, preparam com verdadeira dedicação e Amor pelo momento. Ouvimos e dançamos músicas que podem não ser imediatamente óbvias. Mas pesquisamos a existência de energia vital na música, que por vezes é tão subtil como um bom vinho. Damos oportunidade às sensações, dedicamos tempo à música e à dança, deixamos os corpos irem no seu próprio movimento. Inovamos. Deixamos a alma criar. E geralmente atingimos um estado de repouso espiritual. Let go! Release Your self!!! Fomos aprendendo.
A música que partilhamos tem uma dádiva artística e libertadora. Mensagens simples, por vezes profundas, porque o mundo já está extremamente complicado.
O que ouvimos é música criada por músicos e orquestradores. Por vezes remixers. Fazemos uma viagem no tempo. Às sonoridades e às indumentárias. Sem preconceitos. Cada um é aqui absolutamente livre. Uma viagem universal e cósmica, até, por exemplo, um Loft de Nova York nos anos 70, ou à Argentina nos anos 20, ou mesmo uma certa cave em Liverpool nos anos 60.
Através da música, e da sua combinação, ouvimos histórias, criamos atmosfera, recriamos ambientes.
Música e Bioritmo
Curiosamente o caminho faz-se caminhando e fomos percebendo que a música dá-nos noção de ritmo. Uma pessoa sem ritmo tropeça. Sem ritmo, as emoções confundem-se e não se estruturam. Do choro, à raiva, ao medo, somos levados pela intensidade dos momentos, pela fraqueza de emoções superficiais a dizer e fazer coisas que não queremos na nossa corrida de fundo. Porque muitas vezes nos falta: Ritmo. Sentido de oportunidade, de que atrás de tempo, tempo vem e cada momento se interlaça com outros.
A música, desfrutada em partilha e plenitude, sincroniza as nossas emoções com pensamentos; sensações com possibilidades, permite o despertar do nosso verdadeiro ritmo interior, verdadeiro sentido do Mundo e da nossa existência.
É o principio de um acompanhamento maior, que começa em nós, se funde nos outros e desenlaça a solidão.
Temos sido bem mais felizes desde que nos encontrámos. Desejamos ardentemente cada festa porque ficou evidente para nós que música e dança também são modos de sublimação.
Nunca a palavra saudade nos foi tão expressiva. E é isso que decidimos começar a partilhar com mais amigos.
Começámos a sentir a festa, a música, a dança, como formas de elevar a alma acima de sentimentos mundanos, acima da depressão e do desespero da vida diária, que por vezes tanto se afasta das nossas aspirações e desejos. Como a mais divina das artes, forma profunda de contacto com a inspiração Divina e Cósmica, a música dá-nos força para continuar a sonhar e realizar.
Reconhecemos que o Ego é o maior inimigo para a descoberta da nossa verdade maior, aquele que muitas vezes nos impede uma segunda consideração, um outro olhar, um arrependimento.
“You can’t always have what you want, but you might get what you need” (Mick Jagger).
Se determinadas palavras, que são som e vibração a um determinado nível de densidade que nos esvai de vida e energia e que têm como conseqüência estados de tristeza e depressão, então, temos que admitir que o som e vibração numa sintonia correcta e expansiva terá um poder vivificante e curativo.
Desta amalgama de sensações fica uma memória que se liga ao espaço, às sensações do momento.
Memória é vida. E o espaço onde se vivem sensações é afecto. O afecto que sentimos uns pelos outros e por quem convidamos para passar este momento connosco.
Música e progresso social
Estar com amigos e partilhar um bom momento através da musica é uma receita que, de tão simples, parecia improvável.
As dúvidas extinguiram-se rapidamente: É a genialidade da simplicidade Universal. Verdades maiores são incrivelmente básicas.
A música é partilha e justiça, porque quando temos acesso a ela, só depende de nós o modo como a desfrutamos e integramos. É tribal no momento em que se recebe no colectivo que somos, mas completamente individual na integração interior.
Ou não tivessem existido bares secretos de Jazz(Speakeasy) onde se conspirava contra opressões políticas e compressões de liberdade. Jazz é nostalgia urbana. Ou não tenha sido a origem da Soul
Musica é o canto espiritual de escravos em busca de liberdade.
Liberdade, sempre Liberdade como ideia maior. No respeito integral pelo outro.
Acabámos por ter uma família não de sangue, embora aqui alguns sejam parentes, mas uma família de partilha, de comunhão, onde a linguagem comum se chama música.
