Manifesto Cultural do Love takes off

Aos nossos amigos:

“Whosoever danceth not, knoweth not the way of life” Jesus Christ, in a second century gnostic Hymn

“Music is the Picture of our beloved” Hazrat Inayat Khan, The mysticism of sound and music

Uma Ideia…because Love needs to take off

… Começámos ao contrário do habitual. David e o Loft entraram na nossa vida e fomos até uma das festas dele. E era um mundo feliz demais, alegre demais, livre demais e amoroso demais para ser verdade. Mas era!

Depois de alguns contactos com ele, percebemos que tudo tinha que começar pelo “selfless”, pelo “apagar do ego”! E no entanto, aquele momento era tão integral, tão fantástico que o queríamos todo para nós.

“it’s really very easy to shed one’s ego, but to start something like this, you have to take a deep plunge inside yourself. It’s not an easy way.” – Escreveu o David a um de nós quando, finalmente, percebeu que estávamos nisto por boas razões. Pelas únicas que para ele eram válidas. Pelas únicas que justificavam a sua ajuda, o seu tempo, a sua benção.

Se queríamos ter isto na nossa vida, tinha que começar da forma contrária que tudo hoje em dia começa. Apenas com uma emoção, com uma ideia do sentido para onde iríamos, e na melhor tradição da fé, os meios apareceriam se realmente o combate fosse de justiça. Tinha que começar dentro de cada um. Uma festa de alegria dentro do coração de cada um. Afinal, como dizia Vinícius de Moraes “É melhor ser alegre que ser triste”.

O Loft, que é uma ideia, não era para nós só uma escolha, mas uma esperança que se tornou um desejo irrecusável onde tudo é mais subtil e subliminar.

Para este efeito tivemos que nos re-sintonizar. Re-fundar o pensamento.

“Targets”, “break even”, “marketing” passaram a ser conceitos muito estranhos para nós neste contexto. O supostamente política, religiosa, sexual e socialmente correcto, assumiu uma forma completamente diferente:

A da LIBERDADE, sem nenhum juízo ou pré determinação.

Como fazer uma festa de amigos, sem fins lucrativos mas com custos imensos, onde tudo é acerca de qualidade, pormenor, cuidado…?

Claro que é fundamental cobrir os custos e garantir a continuidade do nosso momento. Mas não criámos um evento comercial. Nem é aliás sequer um evento. Mas é seguramente alguma coisa. Talvez uma house party.

Não queremos ser categorizados. Aqui interessa o indivíduo, o seu momento e a sua partilha. Queremos Ser, só.

Estamos aqui assumidamente para nos divertirmos! Simplesmente!

Somos um grupo de amigos que ama a música, o som e a vibração como forma mais antiga de expressão humana, a dança e o desenvolvimento pessoal e espiritual.

Somos completamente sociais e, por isso, nos encontramos para partilhar e nos divertirmos. Não nos revemos totalmente nas festas dos bares e discotecas e, por isso, decidimos criar um momento inclusivo. Para nós, que somos amigos e para amigos nossos, por convite. Sem vergonha nem tabus de ser e fazer diferente.

Quando sobram lugares, dizemos aos amigos para trazerem os seus amigos, que se tornam também nossos amigos. E assim a família vai crescendo. Sem se tornar uma casa cheia de estranhos.

Organizamos, em datas a anunciar, festas por convite, tocamos música muito variada e criativa com som de alta fidelidade (isso existe?!); respeitamos o criador da música original e a sua obra num convívio entre diferentes tipos de pessoas, valorizando o ecletismo, individualidade e a partilha do mundo interior de cada um.

Fazemos Festa no sentido de “Party” ou partilha, de acordo com o termo anglo-saxónico e filosofias orientais.

“Party” no sentido de pertença a algo diferente que é nosso e dos que aqui estiverem connosco, neste espaço e momento. Dos que participam na comunidade, ciberneticamente e nos encontros que temos, desenvolvendo ideias e novas perspectivas para o nosso relacionamento com o mundo e vida de cada um.

É, também, uma festa em honra daqueles que já não estão nesta dimensão mas permanecem nos nossos corações. De quem temos memória de gestos, de gostos, de sorrisos, de abraços, de ensinamentos. Em suma, de todos aqueles que duma forma ou de outra dançaram aqui, ou se cruzaram connosco na dança da vida. Estão e estarão sempre na nossa lembrança. Este momento também é deles porque, na menor das hipóteses vivem no coração de cada um de nós. Encontramo-los sempre na música e nas cores.

A partilha é essencialmente pessoal, tendo a música como linguagem universal de comunhão, que tão bem estabelece pontes entre ideias e pessoas.

Chegámos aqui de diferentes proveniências e, sem o sabermos, com o mesmo destino. Talvez um dia valha a pena contar a história que é rica e bonita.

Encontrámos uma linguagem comum de respeito e liberdade chamada música; tornamo-nos verdadeiramente amigos.

Para facilitar essa mensagem e atitude, construímos o nosso próprio sistema de som no sentido de nos aproximarmos o mais possível da música como ela foi criada, da sua energia e vibração original, para nos apercebermos da energia vital e curativa nela contida. Para nos aproximarmos de nós próprios, de quem gostamos e permitirmos ser gostados.

E de tudo isto resultou um momento de partilha no convívio, em troca,  porque não aceitamos que a virtualidade de um ecrã de computador substitua uma conversa, um abraço, um olhar ou um gesto.

Estamos pois descomplexadamente fora de moda e continuamos a gostar de expressar emoções e a vivê-las em pleno e com responsabilidade.

Criamos a sensação de estar em casa, mas ao mesmo tempo no grupo. A sociedade civil a funcionar no seu livre direito de encontro e associação, Constitucionalmente garantido.

Foi nossa inspiração David Mancuso e as suas Loft Parties, sendo que desde 2010 e até à sua transição para outra dimensão em 14 de Novembro de 2016, nos auxiliou imenso na construção da festa, da aparelhagem, de um código de ética e de honra. Desde 14 de Fevereiro de 1970 com a sua festa Love Saves the Day, no Loft onde vivia, David inspirou o Mundo a tornar-se num Mundo melhor.

Em espírito, também ele dança connosco em todas as festas, toca música para nós e está nos nossos corações. Sempre!

Horários e Localização
20h00-02h00

Combinámos chegar cedo para não perdermos o bardo primeiro ou preludio, uma parte muito importante da festa, onde há maior experimentação musical. E se os nossos amigos querem fazer o inicio da viagem connosco convidamo-los ao mesmo. Vale a pena.

Começamos pelas 20h00.

Light Dinner volante até por volta das 21h30.

E até aproximadamente às 02h00 vamos fazendo Festa com uma lógica, um ritmo e andamento próprios que se desenvolvem como uma sinfonia. Percebemos que é fundamental esquecer que há relógio a partir do momento que se entra na sala. É um mundo diferente. O David tinha relógio de parede no Loft, que um dia avariou, e ele achou que o relógio tinha razão. Assim ficou. Quarenta anos!

Vale apenas o ritmo da musica. É ela que nos guia e orienta.

Estamos num momento de festa e alegria, que possibilita trazer novas pessoas à nossa vida e trocar experiências que geram progresso social, acompanhado por convívio, musica e dança, de verdadeiro ambiente de proximidade ao estilo de uma festa em casa.

A festa não é em dias ou local fixos. Quando os nossos amigos integram  a comunidade através da inscrição na newsletter disponível no site, são avisados com antecedência razoável a fim de poderem inscrever-se na festa seguinte e solicitarem o seu convite aos amigos anfitriões.

Os lugares na pista de dança esgotam depressa.

Ninguém se pode zangar. First come, first have, fora alguns que estão e que acreditam desde o princípio. We pay respect to seniority.

Guardamos também alguns lugares para quem não conhecendo ninguém, pelo amor e devoção a este momento que se originou nas Loft Parties de David Mancuso e para com a música, queiram também integrar esta família. É fácil. Basta mandar um mail. Respondemos. Sempre.

Música

Criámos uma página de podcasts no site para facilitar o contacto com a música de que gostamos.

Lançamos e enviamos aos convidados um link para o podcast de preparação antes de cada festa, para que cada um se familiarize com extractos de  algumas músicas da nossa colecção que poderão vir a ser tocadas. No site em mp3, mas na festa em pura glória sonora. Discos da colecção de todos nós, mantidos e tocados com reverência.

Fazemos arqueologia musical. A música aqui não tem idade, apenas mensagem, vibração, contacto com a nossa vida e ritmo interior.

É maioritariamente orgânica e percutida, com momentos psicadélicos e tribais. Música de todas as épocas eternas ou aspirantes à eternidade. Duma forma geral o critério é: porque gostamos ou porque o David Mancuso, e outros de reconhecido bom gosto, nos ensinaram a gostar.

Soul, R&b, Pop, Funk, Disco, Jazz, Rock, House, clássica e sinfónica e everything in between, e outras coisas que nunca ouvimos mas aqui chegaram por acaso, ou porque tinha que ser. Que sejam up lifting. Que tenham dinâmica. Que criem emoção.

O conceito de dançável, aqui, é em “várias camadas” e não apenas no batimento principal.

Através de um sistema de som de excepção e transparente, é possível  que cada um de nós sinta as complexidades de uma composição e dance a parte da música que a sua alma sente com mais intensidade. Tal poderá não ser o ritmo dominante.

Seguramente o tipo de batimento e volume da musica no Lovetakesoff não faz demolir o edifício mais próximo.

O conceito “mainstream” não se aplica no Lovetakesoff e a música está fora da última moda, ou não! Afinal isso interessa para alguma coisa..?

A música que David nos ensinou apela a um conceito muito próprio: Terá que ter “life energy”, ser espiritualmente catalisadora e em vários estilos, porque através dela fazemos uma viagem.

O prelúdio da festa é todo ele clássico, jazz, mistério… por vezes com obras inéditas. Vale a pena passear pela pista, ficar simplesmente a ouvir….Perceber o sweet spot do som e desfrutar.

No Bardo segundo ou drifting, momentos de música apenas instrumental ou com forte percussão, menos comerciais por excelência, podem ser um bom convite à entrega e ao abandono dentro de nós próprios, na dança e movimento particulares de cada um.

A noite conta uma história através das letras das músicas. Fomos  aprendendo que a melhor forma de aproveitar é ficar atentos e deixarmo-nos ir.  Percebemos que é um meio para recuperar consciência social, numa época onde tanta imprensa sensacionalista e política manipuladora nos tenta dispersar.

Consciência, cujo ultimo reduto em tempos de Emergência social são geralmente almas com capacidade criativa, almas livres de certificações, como artistas, poetas, pintores, músicos. Não abdicamos de pensar. Nem de sentir. Nem da liberdade, nem da democracia com a consciência que estando dada por garantida nunca esteve tão ameaçada.

Já nos habituámos a músicas e momentos que conhecemos da cultura do Loft mas também já ouvimos e dançámos e cada vez mais, coisas que não conhecíamos. Uma aventura!!! É negro de raça e inspiração. É  dança que liberta a anca!

Toda a diferença e experiência seja musical, pessoal ou social desde que com energia catalisadora de cura, paz, leveza e liberdade é bem vinda.  Flutuamos nas escolhas e surpresas que aqueles de nós que ficam com a missão de anfitrião musical, preparam com verdadeira dedicação e Amor pelo momento. Ouvimos e dançamos músicas que podem não ser imediatamente óbvias. Mas pesquisamos a existência de energia vital na música, que por vezes é tão subtil como um bom vinho. Damos oportunidade às sensações, dedicamos tempo à música e à dança, deixamos os corpos irem no seu próprio movimento. Inovamos. Deixamos a alma criar. E geralmente atingimos um estado de repouso espiritual. Let go! Release Your self!!! Fomos aprendendo.

A música que partilhamos tem uma dádiva artística e libertadora. Mensagens simples, por vezes profundas, porque o mundo já está extremamente complicado.

O que ouvimos é música criada por músicos e orquestradores. Por vezes remixers. Fazemos uma viagem no tempo. Às sonoridades e às indumentárias. Sem preconceitos. Cada um é aqui absolutamente livre.  Uma viagem universal e cósmica, até, por exemplo, um Loft de Nova York nos anos 70, ou à Argentina nos anos 20, ou mesmo uma certa cave em Liverpool nos anos 60.

Através da música, e da sua combinação, ouvimos histórias, criamos atmosfera, recriamos ambientes.

Música e Bioritmo

Curiosamente o caminho faz-se caminhando e fomos percebendo que a música dá-nos noção de ritmo. Uma pessoa sem ritmo tropeça. Sem ritmo, as emoções confundem-se e não se estruturam. Do choro, à raiva, ao medo, somos levados pela intensidade dos momentos, pela fraqueza de emoções superficiais a dizer e fazer coisas que não queremos na nossa corrida de fundo. Porque muitas vezes nos falta: Ritmo. Sentido de oportunidade, de que atrás de tempo, tempo vem e cada momento se interlaça com outros.

A música, desfrutada em partilha e plenitude, sincroniza as nossas emoções com pensamentos; sensações com possibilidades, permite o despertar do nosso verdadeiro ritmo interior, verdadeiro sentido do Mundo e da nossa existência.

É o principio de um acompanhamento maior, que começa em nós, se funde nos outros e desenlaça a solidão.

Temos sido bem mais felizes desde que nos encontrámos. Desejamos ardentemente cada festa porque ficou evidente para nós que música e dança também são modos de sublimação.

Nunca a palavra saudade nos foi tão expressiva. E é isso que decidimos começar a partilhar com mais amigos.

Começámos a sentir a festa, a música, a dança, como formas de elevar a alma acima de sentimentos mundanos, acima da depressão e do desespero da vida diária, que por vezes tanto se afasta das nossas aspirações e desejos. Como a mais divina das artes, forma profunda de contacto com a inspiração Divina e Cósmica, a música dá-nos força para continuar a sonhar e realizar.

Reconhecemos que o Ego é o maior inimigo para a descoberta da nossa verdade maior, aquele que muitas vezes nos impede uma segunda consideração, um outro olhar, um arrependimento.

“You can’t always have what you want, but you might get what you need” (Mick Jagger).

Se determinadas palavras, que são som e vibração a um determinado nível de densidade que nos esvai de vida e energia e que têm como conseqüência estados de tristeza e depressão, então, temos que admitir que o som e vibração numa sintonia correcta e expansiva terá um poder vivificante e curativo.

Desta amalgama de sensações fica uma memória que se liga ao espaço, às sensações do momento.

Memória é vida. E o espaço onde se vivem sensações é afecto. O afecto que sentimos uns pelos outros e por quem convidamos para passar este momento connosco.

Música e progresso social

Estar com amigos e partilhar um bom momento através da musica é uma receita que, de tão simples, parecia improvável.

As dúvidas extinguiram-se rapidamente: É a genialidade da simplicidade Universal. Verdades maiores são incrivelmente básicas.

A música é partilha e justiça, porque quando temos acesso a ela, só depende de nós o modo como a desfrutamos e integramos. É tribal no momento em que se recebe no colectivo que somos, mas completamente individual na integração interior.

Ou não tivessem existido bares secretos de Jazz(Speakeasy) onde se conspirava contra opressões políticas e compressões de liberdade. Jazz é nostalgia urbana. Ou não tenha sido a origem da Soul

Musica é o canto espiritual de escravos em busca de liberdade.

Liberdade, sempre Liberdade como ideia maior. No respeito integral pelo outro.

Acabámos por ter uma família não de sangue, embora aqui alguns sejam parentes, mas uma família de partilha, de comunhão, onde a linguagem comum se chama música.

Legado de David Mancuso
Um guia para melhor aproveitar este momento

Bardos ou os andamentos sinfónicos duma festa

Bardo: No budismo tibetano, estado de existência entre a morte e o renascimento.

O Lovetakesoff segue na tradição das Loft Parties de David Mancuso, uma viagem por bardos inspirados no livro Budista “Tibetan Book of the Dead” aplicado a uma jornada de partilha musical.

Historicamente tem origem na aplicação que David Mancuso fez ao desenrolar musical da festa, das experiências de químicos com efeito psicadélico usados pelo Professor Catedrático de psicologia Timothy Leary na Universidade de Harvard, baseado na sua obra “ The Psychedelic Experience”.

David compilou música para algumas destas sessões terapêuticas que começaram a tornar-se encontros mais sociais e menos experimentais e em que as pessoas começavam espontaneamente a dançar.

O conceito resumia-se em:

  • Turn on
  • Tune in
  • Drop Out

Bardo primeiro: O prelúdio

Chikhai Bardo

Espiritualmente: Caracteriza-se pela despersonalização do ego. Encontro com uma total transcendência para além das palavras, para além do tempo e espaço, para além do indivíduo. O objectivo é atingir um estado onde não existam pensamentos, visões ou o sentido do próprio que é tido como iminentemente ilusório, circunstancial e enganador muito determinado por tudo o que vivemos e nos condiciona, seja família, emoções ou crenças; em suma, tudo o que nos não permite auto conhecimento e liberdade.

Há apenas a consciencialização progressiva de toda a envolvente.

Na festa, o prelúdio incorpora o conceito filosófico do Chikhai Bardo cujo objectivo é uma libertação maior de hábitos, preconceitos sociais e estéticos. Daí uma pouco usual sala em que a única decoração são balões e uma bola de espelhos.

“Um Admirável Mundo Novo”…(Aldous Huxley)

Musicalmente: A música é por excelência mais serena, pormenorizada e  experimental. Não será estranho ouvir discos só para apreciar a qualidade duma gravação, ouvir extractos de uma ópera ou de um bailado, ou um minimalista combo de jazz. A aprendizagem, a suavidade do início do dia. Do início da nova vida. Do desaparecimento do Eu anterior. Acabou a massificação do Mp3, o simplório, o óbvio, o imediato.

Socialmente: Corresponde ao momento da refeição volante, de chegada a um local diferente longe de todo o nosso mundo habitual. A um local de segurança. De Família. De pessoas que, porque ali estão, sabemos que procuram o mesmo. Momentos de encontro, de convívio, de descoberta, de conhecimento de pessoas dispostas a viver uma parte de nós e num momento posterior, através do acompanhamento da complexidade musical, da libertação de nós próprios para dentro do grupo, para a viagem colectiva.

“ Name of the voyager: YOU (name)….”
The time has come for you to seek new levels of reality
Your ego and your game are about to cease
Your are about to be set face to face with the Clear Light
You are about to experience it in its reality.
In the ego-free state, wherein all things are like the void and cloudless sky,
and the naked spotless intellect is like a transparent vacuum;
At this moment, know yourself and abide in that state.
You,(name)
That which is called ego-death is coming to you.
Remember:
This is now the hour of death and rebirth;
Take advantage of this temporary death to obtain the perfect state- Enlightenment-
(The Psychedelic Experience)

Bardo Segundo: Drifting

Chonyid Bardo

Espiritualmente: Caracteriza-se pelo período das alucinações. Várias realidades nos são apresentadas, vários caminhos possíveis que devem ser encarados apenas como formas de realidade alternativas e não absolutas. O valor está em entender cada uma delas de per si, e na experiência das emoções do conjunto. Ou seja, fazer a viagem como um todo procurando experienciar o que nos não é familiar, com total abertura de espírito perante qualquer sensação. Sabendo que nada é definitivo. A seguir, outra emoção. Outra experiência. E nós escolhemos. Sempre.

Musicalmente: A música é vivida em ondas de energia em vários estilos, em crescendo e desaceleração. É a velocidade de cruzeiro da festa, tal como a vida, os sonhos, as alucinações, compondo-se de momentos mais suaves ou mais turbulentos, sempre com notas de mensagem diferentes, voltas mais suaves ou mais abruptas, desafiando a nossa capacidade de adaptação, aprendizagem e integração, mas sempre na busca de um momento de alegria, de intensidade. Multicolor. De existir.

Socialmente: Ora se está no grupo em intensa partilha, ora em si próprio mas com uma identidade diluída.

Somos todos um, mas cada um é único. Num caminho conjunto. Na vivência da emoção e do momento. Sem procurar nada, existindo apenas.

Não se está para ser ou parecer, para ver ou ser visto. Está-se simplesmente. É-se simplesmente. Humildemente, desprovidos de ego sendo conduzidos pela música ao que temos dentro de nós. À libertação do maravilhoso que cada um de nós tem. …We will get you everywhere, but will take you nowhere (Bob Fosse, in All That Jazz)

Bardo Terceiro: Re entry

Sidpa Bardo

Segundo David Mancuso o mais importante de todos os momentos, que equipara à descida e aterragem suave de um avião a jacto com toda a emoção que lhe está associada. A chegada. Aquilo que aqueles que verdadeiramente embarcaram na viagem procuram. E, por isso, não o encontram num evento comercial, mas neste momento de amigos.

Espiritualmente: Traduz-se num retorno ao mundo de todos os dias, à vida corrente mas num estado de maior tranquilidade, intuindo melhor os contornos da realidade do mundo onde reentramos, mas em paz com ele e com sabedoria para melhor lidar com o que nos desgosta. Por sabermos que é sempre possível retornar a um estado de felicidade onde esse mundo opressor é banido, fica uma sensação de leveza que perdura. Porque vai sempre haver mais um momento destes onde se pode retornar. É o significado maior da palavra Esperança.

Musicalmente: Traduz-se em música de acordes mais complexos, de extrema emoção e suavidade, mas muito poderosa. Música de flow para um despertar. Também chamada morning music. Porque tem que ver com despertar para o mundo que nos é exterior depois de um momento que é, na realidade, só de cada um de nós.

Socialmente: É um estado de maior felicidade, de consciência, de experiência de um momento de incrível partilha entre todos, único, de imensa doçura. Por vezes difícil de atingir após uma noite intensa de dança que poderá parecer exaurir de cansaço. Mas, este momento de re-entry, conduz precisamente ao culminar do restauro da energia de vida e da consciência (para aqueles que se queiram aventurar para além da aparente fadiga e do óbvio).

É o momento, onde nos deixamos apenas ir na mensagem e no sonho sem precisar de nada nem ninguém. Ou então integrando-nos com quem nos rodeia, numa energia de comunhão e partilha. Não importa mais nada. Acordamos serenamente para a vida lá fora. Mas será tão especial como um pôr do sol que adivinha o nascer de um novo dia. Just make it last forever….Uma lenta e suave descida para uma aterragem, à medida que nos aproximamos do fim. É a integração do momento. A cristalização da luz. Um estado de relaxamento e emoção. De equilíbrio. De renascimento.

 

A Dança

“We are here to dance our troubles away”

Foi ficando evidente para nós que quanto mais intensa e partilhada era a dança, mais a nossa alegria se amplificava. Estávamos em total contra cultura com o momento actual… Fomos estudar. Percebemos que a dança é ancestral no Homem. Tribal. O mais humano de todos os movimentos porque, para ser dança e expressão de linguagem, só pode ser absolutamente livre de qualquer estilo. O resto é coreografia. Uma forma de dança também, mas dirigida. A dança é movimento e forma de comunicação. É um gesto. Uma notação da mensagem que nos é dada pela música e exprimida e integrada pelo nosso ser através de movimento.

Não é estar de copo na mão a olhar para o ar no meio de uma pista como quem está em posição defensiva, controladora, manifestando em suma MEDO.

Só que o Lovetakesoff é segurança e liberdade. Não há parecer. Há Ser. Porque começou com um grupo de amigos e na realidade, não passa disso. Nem tem pretensões a mais nada.

Movimento também é linguagem. E forma de exprimir emoções.

Não há saber dançar, mas a coragem de se deixar levar pela linguagem do seu corpo, pela sua vibração particular. É a única forma de atingir um estado de paz através da música. Deixar-se sintonizar… Um gesto vale por mil palavras…

No Paradise Garage em NY havia uma inscrição que dizia:

“This is a dance party. Sleepers, go home and sleep”

Achamos que tinham toda a razão.

Som e HI-Fidelity
Alta fidelidade, essa coisa fora de moda, pois claro!

O som é a actividade perceptível de toda a vida. Tudo o que vive emite som.

A ligação entre sons é a harmonia e, nesta, esconde-se o segredo da alegria e da paz. Cor e som são a linguagem da vida e realidades intuídas pelo Ser Humano desde a mais tenra idade. Uma criança ouve música rítmica e imediatamente remexe, dança!

Para essa harmonia chegar até nós, também o som que a transporta tem que ser tão claro e transparente quanto possível.

É um direito hoje esquecido no reino do MP3 e da música digital, em que as pessoas adoram ter 3000 músicas num dispositivo que caiba na palma da mão. Sem dúvida cómodo para audições não críticas como fazer jogging.

No entanto que música ouvem realmente?

“A música, por vezes, fica fazendo um barulho, mesmo…” Chico Buarque de Hollanda.

Valerá a pena ouvir 25% de um Stradivarius?

Encontrávamo-nos para ouvir música e o Mp3 deixava-nos um cansaço. Um amargo de boca… Fomos estudar. Ficámos a saber que num formato MP3, apenas 25% da mensagem contida na música chegava até nós. 25%???!!!  e aínda mantém isso num mundo sem limitações de memória digital? E aínda cobram dinheiro por isso…?

Vão roubar para a estrada, bando de malfeitores….

Por acaso escolhemos comida de má qualidade? Então porquê ouvir música em má qualidade?

O resultado é fadiga e falta de riqueza harmónica, ficando aquém de um estado de Nirvana que um bom sistema de som possibilita. Não queríamos nem auscultadores mentais nem auditivos…onde não partilhávamos nada com ninguém.

Sistema de som

“You want to hear the music, not the sound system”(David Mancuso)

Construímos artesanalmente, com a preciosa ajuda de alguns técnicos, o que tentamos que seja o mais perfeito sistema som para dança em Portugal na reprodução de música gravada. À medida que conseguirmos mais fundos – e com a partilha e crítica de todos, uma vez que é uma comunidade audiófila – é natural que o sistema evolua e melhore. É nesta devoção para com a música que vamos estudando, contribuindo com ideias e encontrando gente tecnicamente capaz de nos fazer evoluir.

Não usamos qualquer formato de compressão. Os princípios do sistema são os da alta fidelidade dos anos 1950 e 60, que respeitam princípios construtivos de instrumentos de sopro de alto rendimento e essencialmente leis da física e apenas isso.

Não existe equalização, em vez disso foi escolhida uma sala com boas condições acústicas. Não há realmente muitos watts…Mas há muita música. Também não há hocus pocus nem fórmulas mágicas. Mas há talento.

A fase acústica e alinhamento temporal são integralmente respeitados.

Maioritariamente, o suporte é em discos de vinil devidamente escolhidos pela qualidade de prensagem e gravação e não as “sandwiches” de vinil actuais que em muitos casos não passam de digital comprimido prensado, enganando impudicamente o consumidor incauto, sedento de moda revivalista que acha que um disco de vinil é melhor por ter 180 gramas.

A nossa procura de vinil, ou qualquer suporte, rege-se pelo factor de transparência e qualidade. Apenas. Nunca preconceito. Cada disco revela a sua época com a qualidade inerente ao seu tempo, à honestidade dos seus produtores e reflectindo as suas limitações, mas sempre em busca de verdade e transparência, logo de emoção. Se for mau, vai tocar mal, mas pelo menos que seja original. Que seja A MÚSICA. The real thing.

Quando andamos num VW Carocha de 1970, também não é igual a um Rolls Royce topo de gama, mas pode dar imenso gozo e provocar emoção.

Os gira-discos são aperfeiçoados e usamos agulhas audiófilas Ortofon, que não admitem habilidades de DJ sem o risco de se partirem. Mas deixam a música tocar….

São usados alguns componentes testados por David, como amplificadores Mcintosh restaurados para especificações originais de época, bem como uma pré amplificação Bozak, especialmente construída por Paul Morrissey. Sendo componentes de época, a sua sonoridade é impossível de igualar por componentes actuais.

As Colunas de som

As “Horny”, assim baptizadas pela sua rampa em forma de corneta ou horn, e porque mexem um bocado com a vontade reprodutiva de quem as ouve… inspiradas num modelo de cinema dos anos 50, foram re-projectadas “InHouse”, buscando um aperfeiçoamento a fim de não obrigarem ao uso acústico de “cantos de sala” e possibilitarem uma emoção mais intensa do que as originais Klipschorn utilizadas por David.

Houve o cuidado de as pintar de encarnado, de modo a estarem sempre presentes, visíveis, tornando-se um símbolo na festa. Evoluíram e amadureceram durante sete anos. Deram trabalho e gozo imenso. Aí estão hoje, para todos nós…únicas. Handmade. Labour of love.

“Loud is good. But there’s a thing called too damn loud” (David Mancuso)

Como resultado de tudo isto, o som não ultrapassa o nível de decibel recomendado para o ouvido humano mantendo transparência e emoção. Virtualmente não existe fadiga e é possível descortinar melhor a mensagem e energia da música pela envolvência. A pequena informação não é retida. O sistema quase não existe. Apenas a música. E sentimo-la em redor de todo o nosso ser. Vamos afinando, retocando, modificando, melhorando. Trabalho continuo. Pintura inacabada. Se fecharmos os olhos e decompusermos a música, já chegámos ao ponto de conseguir ver os instrumentos holograficamente num palco sonoro.

É giro ver os amigos “competir” por um bocadinho do sweet spot da sala que é uma circunferência de cerca de dois metros de raio no centro da pista, o local de excelência para audição com uma imensa intensidade.

Curioso que aqui não vemos ninguém em posição defensiva por causa do volume de som. Mas temos tudo o que precisamos para navegar um mar de emoções.

O não DJ
art of deejaying without deejaying

“ There is no program. No way I wanted to be a D.J.- It’s a house party. Between friends. I am the host. Musical Host. Its’s like you have a third ear. Like a collective tuning. You kinda go with the flow. I try not to interfere. I have a technical role and I understand it. We have to shed the ego”(David Mancuso)

A arte que tentamos desenvolver é de tocar música sem ser DJ. Não há estrelas, como hoje nos habituámos a ver os DJ. Não há pessoas a dançar viradas para um palco. As pessoas estão aqui para se divertirem, dançar umas com as outras e não assistirem à actuação de um DJ.

Aqui é espírito e comunhão. Os musical hosts não tocam. Põem discos a tocar e  também vão dançar, também fazem parte da festa. Um pé no booth, outro na pista. É uma viagem que propomos através da música e convidamos os nossos amigos a partilharem disponibilidade mental e emocional para a fazerem connosco por caminhos que eventualmente não conhecem, mas com os quais se podem familiarizar nos podcasts. Não se trata de um computador a acertar batidas. Não há actuação, embora haja obviamente uma componente artística nesta arte de pôr discos a tocar. Mas, para ser arte, pressupõe a libertação do ego para que a música flua sem interferência e promova a comunhão entre todos.

Há o anfitrião musical (não lhe chamamos DJ), que propõe uma selecção que se dedicou a estudar,  mas sem alinhamento prévio, na procura de uma fusão entre quem dança e põe a música a tocar. Uma interacção de sintonia telepática. Os anfitriões musicais vão propor algo que significou trabalho de pesquisa feito com verdadeira entrega, dedicação e Amor pelo momento.

Provavelmente, músicas que primeiro se estranham e depois entranham. Por vezes uma boa analogia é como aprender a gostar de um bom vinho ou prato gourmet nem sempre fácil pela sua textura e complexidade, mas uma vez experienciado, completamente prazeroso.

Tocamos todo o tipo de música com respeito integral pelos músicos e orquestradores. Não há alteração de pitch ou qualquer artificialismo. Não interferimos com os criadores da música.

 Let The music talk.. no mix…The record has to stand on it’s own…(David Mancuso)

A música toca do princípio ao fim, sem pressa, tal como foi idealizada pelo seu criador, permitindo o tempo necessário para uma co-sintonia entre quem dança, quem a tocou e a criou.

A ideia geral, é deixar a música ser ela própria sem interferir. Deixá-la apresentar o seu próprio valor e mensagem. Se estiver no disco, o seu valor vai aparecer. Terá que ter o seu valor intrínseco e valer por isso. Só isso.

Tentamos arranjar versões estendidas sempre que possível para permitir realmente integração com a música e intuição da mensagem e não aquela moda de agora, de cada música tocar dois minutos numa urgência da próxima novidade e do próximo pico de energia. Não procuramos picos histriónicos mas um flow de energia, uma viagem. A música acaba. Partilhamos a nossa alegria e vibração com palmas, gritos, assobios, manifestações de vida. Fazemos parte do momento. Comunhão profunda. E segue o outro gira discos rumo a uma nova aventura. A uma nova perspectiva de vida. Nada mais!

Comunidade

“Turn off your mind, relax and float downstream. Discover your real self and share it!”

A festa é para ser inclusiva. Pretendemos que não seja preciso conhecer ninguém para fazer parte do grupo. A mensagem é de amor fraternal, de justiça, de direito à diferença, de inclusão.

Dançamos sozinhos e todos com todos. Não precisamos de conhecer quem é quem lá fora. Embora grande parte sejamos entre nós amigos de longa data. Mas na festa é outro mundo. Para comunicar e trocar vida e experiência. Sentimo-nos bem vindos quando chegamos ao pé de quem nunca vimos e dançamos com essa pessoa. Nenhum de nós se surpreende  por vir ter connosco quem não conhecemos para beber, falar, dançar, partilhar. Aqui é o reino da dança e da música, não o do “engate”. Até há slows… que também são música. E altamente dançáveis. Para as gerações mais novas… vale a pena experimentar essa maravilhosa descoberta dos nossos pais e avós.

Não há distinção de sexo, raça, religião ou orientação sexual. É o nosso próprio mundo. Uma casa longe de casa. Um mundo bem diferente do que vivemos todos os dias.  Durante um bocadinho…Que pode vir a ser muito mais se tivermos coragem de criar este movimento de harmonia nas nossas vidas, mudando-nos a nós próprios e com isso um pouco o mundo que nos rodeia. Criando progresso social.

Estamos convictos que o único mundo que podemos mudar é o nosso, e estamos empenhados em fazê-lo todos os dias um bocadinho, e em absoluto na festa.

Criadores de magia

Naquelas horas críamos e vivemos um momento que sabemos único. Somos um grupo de amigos que se empenha nessa magia e tem consciência que cabe a cada um de nós criá-la, protegê-la, acarinhá-la. Sabemos que é um momento intenso, raro.

Percebemos a magia quando se toca a primeira nota de música e abrimos a porta da sala onde caminhamos para uma certa forma de wonderland. Musicland.

Quando temos a sensação de entrar no mais parecido que conhecemos de um útero materno. Protector.

Mas essa magia nasce na comunidade interna deste grupo de amigos e naqueles que se juntam a nós no momento.

E nasce muito antes com imensa dedicação, sempre com alegria e profundo divertimento entre todos. Na antecipação, na preparação e depois, quando se dança e desfruta.

A festa existe, porque cada um contribuí consigo próprio para este momento. É tão fundamental quem trata da música, ou das luzes, como quem decora a sala, faz a comida, enche balões, recebe as pessoas na porta ou abdica do seu tempo de pista de dança para garantir que o bengaleiro fica bem acondicionado. Neste grupo de amigos, há gente que abnegadamente, uns no dia, outros antes, outros depois, outros sempre, fazem o seu maior esforço e dão as suas costas, o seu coração a sua disponibilidade para terem a sua festa. O seu momento que é de todos e de cada um. Que sem cada um, ou não sobreviveria, ou não seria a mesma coisa. Aqui, são todos insubstituíveis.

Da ternura de cada festa ter um desenho único e um nome inspirador quase um mantra, até a quem prepara o site e facebook ou fica com a sua casa numa confusão para guardar a tralha toda, ou ainda tem a difícil responsabilidade de tratar das contas e compras. Tudo num movimento de absoluta dádiva. Somos orgulhosamente tudo isto. Meio loucos, meio missionários. Nada óbvios para os tempos que correm.

E depois vem a recompensa maior quando, com alegria e sem tabus, recebemos os nossos amigos e os amigos dos nossos amigos com total aceitação. Por tudo isto, pedimos a quem convidamos, o mesmo respeito que temos por este momento, pelo local que nos recebe e por quem nos rodeia.

Crianças eternas

Fazemos uma festa de crianças para adultos, para a família e amigos, muito simples em tudo, inclusive na decoração. Note-se que a origem das Loft parties de David, são um misto da recreação da sua vida num orfanato onde a Sister Alicia decorava todos os Sábados uma sala com balões, enchia um frigorifico com refrigerantes e, num canto da sala, um gira discos tocava musica para animar as crianças. Mais tarde, este conceito fundiu-se no Loft com as Rent parties Negras de Queens em NY.

Crianças são bem vindas até à hora que razoavelmente poderão estar. Convém que os adultos tenham, mais tarde, alguém a quem as deixar para poderem fruir da festa livremente até ao fim. O conceito de família é importante para nós e a festa é transgeracional a partir duma idade razoável.

Curiosamente aprendemos imenso a dançar com as crianças. Porque se estão nas tintas para quem está a ver e entregam-se à musica, completamente.

Gente divertida e civilizada

“Just behave like a human being. In that spirit, it´s total freedom” (David Mancuso)

Não há absolutamente dress code. Pedimos para darem em absoluto largas à vossa imaginação. Venham confortáveis para dançar.

Mantemos um criterioso espirito de descrição e underground.

Deixamos os telefones e cameras desligados

Não olhamos para relógios.

Total e absoluta liberdade, desde que respeitando a liberdade e espaço do outro.

Convite e contribuição
o que está incluído

A festa é estritamente sem fins lucrativos e sustenta-se com uma  contribuição individual (previamente feita ao anfitrião de cada um) + bring your own bottle.

Só existe confirmação depois da contribuição efectuada e confirmada pelo anfitrião. O site tem um formulário onde é possível solicitar convites. As instruções seguiram depois por email.

Não há ingressos ou contribuições à porta. Não há dinheiro a circular. A entrada não é livre. O momento é privado e estritamente por convite.

Nos lugares que sobram, assegura o seu lugar quem tiver sido convidado e contribuir primeiro.

Bring your own bottle to share

Pedimos a cada um que traga também a sua própria garrafa de bebida favorita para a mesa comum.

A festa não vende qualquer espécie de produto nem álcool.

No recinto existe:

  • Bengaleiro,
  • Água e sumos de frutas, e/ou chá, tónica e gelo.
  • Recipiente com gelo para depositarem garrafas de litro de cerveja
  • Refeição leve volante.
  • E musica, muita musica.

Inspiração

David Mancuso, the loft and love saves the day

Tal como o Loft, Lovetakesoff é uma ideia que congrega um grupo de amigos que, sob a inspiração das Loft Parties de Nova Iorque de David Mancuso, recria o conceito em Lisboa tendo por base as orientações deste grande mestre da alta fidelidade e do progresso social.

David inspirou-se na sua infância, passada no orfanato Católico da Irmã Alicia e nas “rent parties” dos anos 20, e fundou, em NYC “The LOFT”. Este local era a sua casa, literalmente,  onde se reunia com amigos para dançar, ouvir musica em alta fidelidade e partilhar a vida.

A primeira festa em 14 Fevereiro de 1970 chamou-se “Love Saves the Day” (LSD) e foram enviados 35 convites. A emoção passou e, meses depois, eram centenas as pessoas a procurar a sua casa longe de casa, o seu momento de partilha numa NY, então perigosa, social e moralmente opressiva. O Loft foi um dos movimentos sociais e musicais mais influentes dos anos 70 que deu origem aos clubes de dança, mas manteve-se sempre quase secreto e decididamente Underground.

As influencias permanecem até hoje, como por exemplo o sistema de som, descrito por alguns como o melhor jamais criado, que pela primeira vez utilizava sub woofers e tweeter arrays, mais tarde abandonados por David em nome duma pureza superior.

Hoje em dia, este conceito inclusivo do Loft desvirtuou-se completamente por pressões económicas e deu origem às modernas discotecas, que David sempre recusou. Continuou a organizar, quase até ao seu desaparecimento a 14 Nov de 2016, em NYC com seguidores em Londres, Tokyo, Itália e mais recentemente aqui em Lisboa e agora Vienna de Austria, as suas Loft House parties, entre amigos e para os amigos que cultivava mundo fora.

No Loft tudo era experimentação.

Até o break dance ali foi desenvolvido e antes de ser comercial apenas se chamava “ Lofting”, tal como todas as formas de dança, de música e de estar na vida que ali nasceram.

No Loft encontravam-se e partilhavam experiências todo o tipo de criadores, desde gurus psicadélicos, cantores, compositores, escritores, artistas plásticos, e tantos anónimos numa atmosfera inclusiva, amorosa, totalmente ressonante em que todos eram iguais independentemente da sua profissão ou contribuição para a sociedade.

Não era impossível ver o médico do Presidente a assistir a algum anónimo que tivesse abusado da sorte e se sentisse mal.(Parece que aconteceu mesmo). Ali se testava e descobria música e arte. Se desenvolvia a alta fidelidade e relações humanas como num laboratório de experiência cientifica e social feito de respeito, amizade e inclusão. No Loft também se encontravam grupos que desenvolviam experiências psicadélicas controladas, no sentido de expandir a mente. Afinal eram os anos 70, tempo de músicas como Lucy in The Sky with Diamonds dos Beatles. Mark Levinson, Alex Rosner, Richard Long, todos eles mestres de alta fidelidade, também experimentaram por lá os seus famosos amplificadores e sistemas de som acoplados às famosas colunas Klipschorn desenhadas nos anos 30 por Paul Klipsch, o altifalante mais antigo em produção no mundo. Giradiscos Technics sp10 aperfeiçoados por Mitch Cotter e as incríveis, agulhas mc Koetsu, desenhadas e fabricadas no Japão por Yosaki Sugano um mestre caligrafo fazedor de sabres e canetas. Uma órgia de alta fidelidade!

David partilhou a sua amizade e alguma da sua imensa sabedoria connosco, enquanto desenvolvíamos o sistema e evoluíamos.  E disse-nos que o Loft era acima de tudo uma ideia. Tanto que mudou de sítio várias vezes. Um modo de reflexão para identificar tempos, cortar amarras de pensamento e refundar a liberdade. De repor o Homem indivíduo, o seu bem estar e desenvolvimento como objectivo central da vida em sociedade numa perspectiva de bem comum. Um momento por excelência do direito de partilha e reunião duma sociedade civil que se quer livre, exigente, interventiva, esclarecida e responsável.

Com imensa gratidão aos nossos amigos e profundo respeito,

LOVE SAVES THE DAY!

Nota: Os nossos textos não respeitam acordos ortográficos. A língua não evolui por decreto. Continuamos a falar e escrever Português, neste caso polvilhado de Inglês dada a origem do Loft, com eventuais erros involuntários de dactilografia.