Inspiração

David Mancuso, the loft and love saves the day

Tal como o Loft, Lovetakesoff é uma ideia que congrega um grupo de amigos que, sob a inspiração das Loft Parties de Nova Iorque de David Mancuso, recria o conceito em Lisboa tendo por base as orientações deste grande mestre da alta fidelidade e do progresso social.

David inspirou-se na sua infância, passada no orfanato Católico da Irmã Alicia e nas “rent parties” dos anos 20, e fundou, em NYC “The LOFT”. Este local era a sua casa, literalmente,  onde se reunia com amigos para dançar, ouvir musica em alta fidelidade e partilhar a vida.

A primeira festa em 14 Fevereiro de 1970 chamou-se “Love Saves the Day” (LSD) e foram enviados 35 convites. A emoção passou e, meses depois, eram centenas as pessoas a procurar a sua casa longe de casa, o seu momento de partilha numa NY, então perigosa, social e moralmente opressiva. O Loft foi um dos movimentos sociais e musicais mais influentes dos anos 70 que deu origem aos clubes de dança, mas manteve-se sempre quase secreto e decididamente Underground.

As influencias permanecem até hoje, como por exemplo o sistema de som, descrito por alguns como o melhor jamais criado, que pela primeira vez utilizava sub woofers e tweeter arrays, mais tarde abandonados por David em nome duma pureza superior.

Hoje em dia, este conceito inclusivo do Loft desvirtuou-se completamente por pressões económicas e deu origem às modernas discotecas, que David sempre recusou. Continuou a organizar, quase até ao seu desaparecimento a 14 Nov de 2016, em NYC com seguidores em Londres, Tokyo, Itália e mais recentemente aqui em Lisboa e agora Vienna de Austria, as suas Loft House parties, entre amigos e para os amigos que cultivava mundo fora.

No Loft tudo era experimentação.

Até o break dance ali foi desenvolvido e antes de ser comercial apenas se chamava “ Lofting”, tal como todas as formas de dança, de música e de estar na vida que ali nasceram.

No Loft encontravam-se e partilhavam experiências todo o tipo de criadores, desde gurus psicadélicos, cantores, compositores, escritores, artistas plásticos, e tantos anónimos numa atmosfera inclusiva, amorosa, totalmente ressonante em que todos eram iguais independentemente da sua profissão ou contribuição para a sociedade.

Não era impossível ver o médico do Presidente a assistir a algum anónimo que tivesse abusado da sorte e se sentisse mal.(Parece que aconteceu mesmo). Ali se testava e descobria música e arte. Se desenvolvia a alta fidelidade e relações humanas como num laboratório de experiência cientifica e social feito de respeito, amizade e inclusão. No Loft também se encontravam grupos que desenvolviam experiências psicadélicas controladas, no sentido de expandir a mente. Afinal eram os anos 70, tempo de músicas como Lucy in The Sky with Diamonds dos Beatles. Mark Levinson, Alex Rosner, Richard Long, todos eles mestres de alta fidelidade, também experimentaram por lá os seus famosos amplificadores e sistemas de som acoplados às famosas colunas Klipschorn desenhadas nos anos 30 por Paul Klipsch, o altifalante mais antigo em produção no mundo. Giradiscos Technics sp10 aperfeiçoados por Mitch Cotter e as incríveis, agulhas mc Koetsu, desenhadas e fabricadas no Japão por Yosaki Sugano um mestre caligrafo fazedor de sabres e canetas. Uma órgia de alta fidelidade!

David partilhou a sua amizade e alguma da sua imensa sabedoria connosco, enquanto desenvolvíamos o sistema e evoluíamos.  E disse-nos que o Loft era acima de tudo uma ideia. Tanto que mudou de sítio várias vezes. Um modo de reflexão para identificar tempos, cortar amarras de pensamento e refundar a liberdade. De repor o Homem indivíduo, o seu bem estar e desenvolvimento como objectivo central da vida em sociedade numa perspectiva de bem comum. Um momento por excelência do direito de partilha e reunião duma sociedade civil que se quer livre, exigente, interventiva, esclarecida e responsável.

Com imensa gratidão aos nossos amigos e profundo respeito,

LOVE SAVES THE DAY!

 

Nota: Os nossos textos não respeitam acordos ortográficos. A língua não evolui por decreto. Continuamos a falar e escrever Português, neste caso polvilhado de Inglês dada a origem do Loft, com eventuais erros involuntários de dactilografia.