Manifesto Cultural do Love takes off
Aos nossos amigos:
“Whosoever danceth not, knoweth not the way of life” Jesus Christ, in a second century gnostic Hymn
“Music is the Picture of our beloved” Hazrat Inayat Khan, The mysticism of sound and music
Uma Ideia…because Love needs to take off
… Começámos ao contrário do habitual. David e o Loft entraram na nossa vida e fomos até uma das festas dele. E era um mundo feliz demais, alegre demais, livre demais e amoroso demais para ser verdade. Mas era!
Depois de alguns contactos com ele, percebemos que tudo tinha que começar pelo “selfless”, pelo “apagar do ego”! E no entanto, aquele momento era tão integral, tão fantástico que o queríamos todo para nós.
“it’s really very easy to shed one’s ego, but to start something like this, you have to take a deep plunge inside yourself. It’s not an easy way.” – Escreveu o David a um de nós quando, finalmente, percebeu que estávamos nisto por boas razões. Pelas únicas que para ele eram válidas. Pelas únicas que justificavam a sua ajuda, o seu tempo, a sua benção.
Se queríamos ter isto na nossa vida, tinha que começar da forma contrária que tudo hoje em dia começa. Apenas com uma emoção, com uma ideia do sentido para onde iríamos, e na melhor tradição da fé, os meios apareceriam se realmente o combate fosse de justiça. Tinha que começar dentro de cada um. Uma festa de alegria dentro do coração de cada um. Afinal, como dizia Vinícius de Moraes “É melhor ser alegre que ser triste”.
O Loft, que é uma ideia, não era para nós só uma escolha, mas uma esperança que se tornou um desejo irrecusável onde tudo é mais subtil e subliminar.
Para este efeito tivemos que nos re-sintonizar. Re-fundar o pensamento.
“Targets”, “break even”, “marketing” passaram a ser conceitos muito estranhos para nós neste contexto. O supostamente política, religiosa, sexual e socialmente correcto, assumiu uma forma completamente diferente:
A da LIBERDADE, sem nenhum juízo ou pré determinação.
Como fazer uma festa de amigos, sem fins lucrativos mas com custos imensos, onde tudo é acerca de qualidade, pormenor, cuidado…?
Claro que é fundamental cobrir os custos e garantir a continuidade do nosso momento. Mas não criámos um evento comercial. Nem é aliás sequer um evento. Mas é seguramente alguma coisa. Talvez uma house party.
Não queremos ser categorizados. Aqui interessa o indivíduo, o seu momento e a sua partilha. Queremos Ser, só.
Estamos aqui assumidamente para nos divertirmos! Simplesmente!
Somos um grupo de amigos que ama a música, o som e a vibração como forma mais antiga de expressão humana, a dança e o desenvolvimento pessoal e espiritual.
Somos completamente sociais e, por isso, nos encontramos para partilhar e nos divertirmos. Não nos revemos totalmente nas festas dos bares e discotecas e, por isso, decidimos criar um momento inclusivo. Para nós, que somos amigos e para amigos nossos, por convite. Sem vergonha nem tabus de ser e fazer diferente.
Quando sobram lugares, dizemos aos amigos para trazerem os seus amigos, que se tornam também nossos amigos. E assim a família vai crescendo. Sem se tornar uma casa cheia de estranhos.
Organizamos, em datas a anunciar, festas por convite, tocamos música muito variada e criativa com som de alta fidelidade (isso existe?!); respeitamos o criador da música original e a sua obra num convívio entre diferentes tipos de pessoas, valorizando o ecletismo, individualidade e a partilha do mundo interior de cada um.
Fazemos Festa no sentido de “Party” ou partilha, de acordo com o termo anglo-saxónico e filosofias orientais.
“Party” no sentido de pertença a algo diferente que é nosso e dos que aqui estiverem connosco, neste espaço e momento. Dos que participam na comunidade, ciberneticamente e nos encontros que temos, desenvolvendo ideias e novas perspectivas para o nosso relacionamento com o mundo e vida de cada um.
É, também, uma festa em honra daqueles que já não estão nesta dimensão mas permanecem nos nossos corações. De quem temos memória de gestos, de gostos, de sorrisos, de abraços, de ensinamentos. Em suma, de todos aqueles que duma forma ou de outra dançaram aqui, ou se cruzaram connosco na dança da vida. Estão e estarão sempre na nossa lembrança. Este momento também é deles porque, na menor das hipóteses vivem no coração de cada um de nós. Encontramo-los sempre na música e nas cores.
A partilha é essencialmente pessoal, tendo a música como linguagem universal de comunhão, que tão bem estabelece pontes entre ideias e pessoas.
Chegámos aqui de diferentes proveniências e, sem o sabermos, com o mesmo destino. Talvez um dia valha a pena contar a história que é rica e bonita.
Encontrámos uma linguagem comum de respeito e liberdade chamada música; tornamo-nos verdadeiramente amigos.
Para facilitar essa mensagem e atitude, construímos o nosso próprio sistema de som no sentido de nos aproximarmos o mais possível da música como ela foi criada, da sua energia e vibração original, para nos apercebermos da energia vital e curativa nela contida. Para nos aproximarmos de nós próprios, de quem gostamos e permitirmos ser gostados.
E de tudo isto resultou um momento de partilha no convívio, em troca, porque não aceitamos que a virtualidade de um ecrã de computador substitua uma conversa, um abraço, um olhar ou um gesto.
Estamos pois descomplexadamente fora de moda e continuamos a gostar de expressar emoções e a vivê-las em pleno e com responsabilidade.
Criamos a sensação de estar em casa, mas ao mesmo tempo no grupo. A sociedade civil a funcionar no seu livre direito de encontro e associação, Constitucionalmente garantido.
Foi nossa inspiração David Mancuso e as suas Loft Parties, sendo que desde 2010 e até à sua transição para outra dimensão em 14 de Novembro de 2016, nos auxiliou imenso na construção da festa, da aparelhagem, de um código de ética e de honra. Desde 14 de Fevereiro de 1970 com a sua festa Love Saves the Day, no Loft onde vivia, David inspirou o Mundo a tornar-se num Mundo melhor.
Em espírito, também ele dança connosco em todas as festas, toca música para nós e está nos nossos corações. Sempre!
