O não DJ
art of deejaying without deejaying
“ There is no program. No way I wanted to be a D.J.- It’s a house party. Between friends. I am the host. Musical Host. Its’s like you have a third ear. Like a collective tuning. You kinda go with the flow. I try not to interfere. I have a technical role and I understand it. We have to shed the ego”(David Mancuso)
A arte que tentamos desenvolver é de tocar música sem ser DJ. Não há estrelas, como hoje nos habituámos a ver os DJ. Não há pessoas a dançar viradas para um palco. As pessoas estão aqui para se divertirem, dançar umas com as outras e não assistirem à actuação de um DJ.
Aqui é espírito e comunhão. Os musical hosts não tocam. Põem discos a tocar e também vão dançar, também fazem parte da festa. Um pé no booth, outro na pista. É uma viagem que propomos através da música e convidamos os nossos amigos a partilharem disponibilidade mental e emocional para a fazerem connosco por caminhos que eventualmente não conhecem, mas com os quais se podem familiarizar nos podcasts. Não se trata de um computador a acertar batidas. Não há actuação, embora haja obviamente uma componente artística nesta arte de pôr discos a tocar. Mas, para ser arte, pressupõe a libertação do ego para que a música flua sem interferência e promova a comunhão entre todos.
Há o anfitrião musical (não lhe chamamos DJ), que propõe uma selecção que se dedicou a estudar, mas sem alinhamento prévio, na procura de uma fusão entre quem dança e põe a música a tocar. Uma interacção de sintonia telepática. Os anfitriões musicais vão propor algo que significou trabalho de pesquisa feito com verdadeira entrega, dedicação e Amor pelo momento.
Provavelmente, músicas que primeiro se estranham e depois entranham. Por vezes uma boa analogia é como aprender a gostar de um bom vinho ou prato gourmet nem sempre fácil pela sua textura e complexidade, mas uma vez experienciado, completamente prazeroso.
Tocamos todo o tipo de música com respeito integral pelos músicos e orquestradores. Não há alteração de pitch ou qualquer artificialismo. Não interferimos com os criadores da música.
Let The music talk.. no mix…The record has to stand on it’s own…(David Mancuso)
A música toca do princípio ao fim, sem pressa, tal como foi idealizada pelo seu criador, permitindo o tempo necessário para uma co-sintonia entre quem dança, quem a tocou e a criou.
A ideia geral, é deixar a música ser ela própria sem interferir. Deixá-la apresentar o seu próprio valor e mensagem. Se estiver no disco, o seu valor vai aparecer. Terá que ter o seu valor intrínseco e valer por isso. Só isso.
Tentamos arranjar versões estendidas sempre que possível para permitir realmente integração com a música e intuição da mensagem e não aquela moda de agora, de cada música tocar dois minutos numa urgência da próxima novidade e do próximo pico de energia. Não procuramos picos histriónicos mas um flow de energia, uma viagem. A música acaba. Partilhamos a nossa alegria e vibração com palmas, gritos, assobios, manifestações de vida. Fazemos parte do momento. Comunhão profunda. E segue o outro gira discos rumo a uma nova aventura. A uma nova perspectiva de vida. Nada mais!
