Som e HI-Fidelity
Alta fidelidade, essa coisa fora de moda, pois claro!

O som é a actividade perceptível de toda a vida. Tudo o que vive emite som.

A ligação entre sons é a harmonia e, nesta, esconde-se o segredo da alegria e da paz. Cor e som são a linguagem da vida e realidades intuídas pelo Ser Humano desde a mais tenra idade. Uma criança ouve música rítmica e imediatamente remexe, dança!

Para essa harmonia chegar até nós, também o som que a transporta tem que ser tão claro e transparente quanto possível.

É um direito hoje esquecido no reino do MP3 e da música digital, em que as pessoas adoram ter 3000 músicas num dispositivo que caiba na palma da mão. Sem dúvida cómodo para audições não críticas como fazer jogging.

No entanto que música ouvem realmente?

“A música, por vezes, fica fazendo um barulho, mesmo…” Chico Buarque de Hollanda.

Valerá a pena ouvir 25% de um Stradivarius?

Encontrávamo-nos para ouvir música e o Mp3 deixava-nos um cansaço. Um amargo de boca… Fomos estudar. Ficámos a saber que num formato MP3, apenas 25% da mensagem contida na música chegava até nós. 25%???!!!  e aínda mantém isso num mundo sem limitações de memória digital? E aínda cobram dinheiro por isso…?

Vão roubar para a estrada, bando de malfeitores….

Por acaso escolhemos comida de má qualidade? Então porquê ouvir música em má qualidade?

O resultado é fadiga e falta de riqueza harmónica, ficando aquém de um estado de Nirvana que um bom sistema de som possibilita. Não queríamos nem auscultadores mentais nem auditivos…onde não partilhávamos nada com ninguém.

Sistema de som

“You want to hear the music, not the sound system”(David Mancuso)

Construímos artesanalmente, com a preciosa ajuda de alguns técnicos, o que tentamos que seja o mais perfeito sistema som para dança em Portugal na reprodução de música gravada. À medida que conseguirmos mais fundos – e com a partilha e crítica de todos, uma vez que é uma comunidade audiófila – é natural que o sistema evolua e melhore. É nesta devoção para com a música que vamos estudando, contribuindo com ideias e encontrando gente tecnicamente capaz de nos fazer evoluir.

Não usamos qualquer formato de compressão. Os princípios do sistema são os da alta fidelidade dos anos 1950 e 60, que respeitam princípios construtivos de instrumentos de sopro de alto rendimento e essencialmente leis da física e apenas isso.

Não existe equalização, em vez disso foi escolhida uma sala com boas condições acústicas. Não há realmente muitos watts…Mas há muita música. Também não há hocus pocus nem fórmulas mágicas. Mas há talento.

A fase acústica e alinhamento temporal são integralmente respeitados.

Maioritariamente, o suporte é em discos de vinil devidamente escolhidos pela qualidade de prensagem e gravação e não as “sandwiches” de vinil actuais que em muitos casos não passam de digital comprimido prensado, enganando impudicamente o consumidor incauto, sedento de moda revivalista que acha que um disco de vinil é melhor por ter 180 gramas.

A nossa procura de vinil, ou qualquer suporte, rege-se pelo factor de transparência e qualidade. Apenas. Nunca preconceito. Cada disco revela a sua época com a qualidade inerente ao seu tempo, à honestidade dos seus produtores e reflectindo as suas limitações, mas sempre em busca de verdade e transparência, logo de emoção. Se for mau, vai tocar mal, mas pelo menos que seja original. Que seja A MÚSICA. The real thing.

Quando andamos num VW Carocha de 1970, também não é igual a um Rolls Royce topo de gama, mas pode dar imenso gozo e provocar emoção.

Os gira-discos são aperfeiçoados e usamos agulhas audiófilas Ortofon, que não admitem habilidades de DJ sem o risco de se partirem. Mas deixam a música tocar….

São usados alguns componentes testados por David, como amplificadores Mcintosh restaurados para especificações originais de época, bem como uma pré amplificação Bozak, especialmente construída por Paul Morrissey. Sendo componentes de época, a sua sonoridade é impossível de igualar por componentes actuais.

As Colunas de som

As “Horny”, assim baptizadas pela sua rampa em forma de corneta ou horn, e porque mexem um bocado com a vontade reprodutiva de quem as ouve… inspiradas num modelo de cinema dos anos 50, foram re-projectadas “InHouse”, buscando um aperfeiçoamento a fim de não obrigarem ao uso acústico de “cantos de sala” e possibilitarem uma emoção mais intensa do que as originais Klipschorn utilizadas por David.

Houve o cuidado de as pintar de encarnado, de modo a estarem sempre presentes, visíveis, tornando-se um símbolo na festa. Evoluíram e amadureceram durante sete anos. Deram trabalho e gozo imenso. Aí estão hoje, para todos nós…únicas. Handmade. Labour of love.

“Loud is good. But there’s a thing called too damn loud” (David Mancuso)

Como resultado de tudo isto, o som não ultrapassa o nível de decibel recomendado para o ouvido humano mantendo transparência e emoção. Virtualmente não existe fadiga e é possível descortinar melhor a mensagem e energia da música pela envolvência. A pequena informação não é retida. O sistema quase não existe. Apenas a música. E sentimo-la em redor de todo o nosso ser. Vamos afinando, retocando, modificando, melhorando. Trabalho continuo. Pintura inacabada. Se fecharmos os olhos e decompusermos a música, já chegámos ao ponto de conseguir ver os instrumentos holograficamente num palco sonoro.

É giro ver os amigos “competir” por um bocadinho do sweet spot da sala que é uma circunferência de cerca de dois metros de raio no centro da pista, o local de excelência para audição com uma imensa intensidade.

Curioso que aqui não vemos ninguém em posição defensiva por causa do volume de som. Mas temos tudo o que precisamos para navegar um mar de emoções.